Um banqueiro, um anti-jornalista e um Negloni

Para não dizer que falei apenas de Vorcaro e Escosteguy, essa edição tem também Polymarket e Keeta. Vem comigo

Olá, pessoal. Alexandre Orrico por aqui, editor do Garimpo e diretor editorial do Núcleo. Nesta semana fui completamente abduzido por notícias, comentários, vídeos e até playlists sobre Daniel Vorcaro, dono do banco Master que foi preso em operação da PF.

Além de ser manchete nos principais portais e jornais do Brasil no momento em que escrevo essa newsletter, alguns fios dessa teia de acontecimentos me pegaram em particular, todos decorrentes do vazamento das mensagens do celular do banqueiro.

Foi chocante ler Vorcaro e seu capanga combinando de simular um assalto para "quebrar os dentes" do jornalista Lauro Jardim, do Globo. Aliás adorei a nota de repúdio em conjunto do jornal com a ANJ nas redes: texto fixo em formato de vídeo, com uma trilhinha sonora. Será que o alcance é maior assim?

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Menos chocante, mas ainda asqueroso, foi ver que, segundo a PF, Vorcaro fez pagamentos para o jornalista Diego Escosteguy, dono do site O Bastidor, para que notas de interesse do banqueiro fossem publicadas. Diego teria recebido a bagatela ao menos R$2 milhões, como aparece nas planilhas de Vorcaro.

Diego é um anti-modelo jornalístico muito importante para o nascimento do Núcleo. Explico melhor mais pra baixo.

Além de tudo eu também isso fiquei hiperfocado nas mensagens que Vorcaro trocava com a namorada, que após o vazamento se espalharam pelo X e pelo Bluesky.

Para não dizer que só falei de Vorcaro e Escosteguy, esta edição ainda tem Polymarket e o horror do mercado de apostas em cima de mortes, e as tretas que o Keeta, concorrente do iFood, está tendo para se instalar no Brasil. Vem comigo.

Nós anunciamos algumas mudanças no Garimpo no dia 22.fev. TLDR: o Garimpo não será mais diário e terá cerca de 3 edições por semana (abertas às segundas e quartas, exclusiva para assinantes às sextas ou sábados). Posts do Garimpo no site do Núcleo deixam de existir e todo conteúdo será exclusivo da newsletter. A news incorporará outra news da firma, o Mosaico, e receberemos convidados de vez em quando.

(¬‿¬ )

ENQUANTO ISSO, NAS REDES

Obrigado, Escosteguy

Eu sempre achei divertido o jeito que o Lucas, palpiteiro oficial do Núcleo, fala sobre ocorrido no Vortex, startup falida, capitaneada por Diego Escosteguy lá em 2019 da qual fizemos parte. Exumamos essa tragédia corporativa durante a semana porque o nome do Diego apareceu em notícias ligadas a Vorcaro.

Breve recapitulação: em 2019 fui chamado para participar de um novo site de jornalismo chamado Vortex. A maior parte dos 35 colaboradores foi tirada de seus empregos – tinha gente do Estadão, da Folha, do Nexo e até concursados públicos que largaram seus antigos trabalhos para ajudar na construção desse veículo novo, focado em política, economia e justiça, com sede em Brasília e sucursal em São Paulo.

Só que a iniciativa faliu em alguns meses, sem que a história completa seja pública até hoje. Circularam muitas versões, poucos fatos. Cada um saiu com sua teoria, suas frustrações e uma boa história de bar sobre o dia em que acreditamos que estávamos entrando na “próxima grande coisa” do jornalismo. O que sei é que o dinheiro acabou, a empresa ruiu (pouco tempo antes da pandemia) e todo mundo foi parar na rua (e mais tarde em audiências em busca de indenizações e remunerações atrasadas).

Anos depois, agora em 2026, Diego apareceu novamente noticiário, dessa vez por, segundo a PF, ter recebido ao menos R$2 milhões para publicar em seu site O Bastidor (fundado logo após do naufrágio do Vortex) notas de interesse de Vorcaro. Em novembro de 2025 o site de Escosteguy publicaria uma nota especificamente para ser usada pela defesa de Vorcaro. O assunto movimentou as redes, principalmente a esfera de jornalistas.

Nas redes pipocaram conteúdos sobre Escosteguy e a relação com o banqueiro. Diego disse que os valores dizem respeito a contratos de publicidade.

...

Eu e meu sócio Sérgio cofundamos o Núcleo após nos conhecermos no Vortex, e algumas pessoas da equipe, como o Lucas, também vieram de lá. Voltando à mensagem dele no início deste texto, em vez de sentir raiva, arrependimento ou outras coisas do tipo, prefiro pensar que nem ele: entrar nesse barco furado foi a melhor coisa que fiz.

Diego serve de um anti-modelo, uma espécie de jornalista invertido com bússola quebrada a quem é possível observar e tentar fazer tudo ao contrário. O Núcleo é uma empresa transparente, que não aceita pauta encomendada, não planta recados e não se vende para banqueiros.

Quero beber Negloni

Quem me segue no Instagram vi que eu fiquei hiperfocado nas conversas de Vorcaro com a namorada, que circularam bastante principalmente no X e no Bluesky. Chamou atenção a linguagem do amor usada pelo casal, bastante conhecida por milhões de românticos no Brasil: a troca do R pelo L, o famoso idioma cebolinha. Para com isso agora vira pala com isso agola. Perereca vira peleleca, mais carinhoso. E até Negroni vira Negloni, uma versão mais fofinha do drink. Quem nunca?

E alguém investido nessa história tanto quanto eu tirou tempo para organizar as músicas enviadas de um para outro em meio a declarações (como quando Vorcaro diz: "quero MORAR NO SEU SUBACO"). Alguém pegou esse material e fez uma playlist no Spotify. A primeira é logo uma música do Chet Baker. Sabem muito.

Mas como nem tudo são flores, o pessoal descobriu nesses vazamentos que Vorcaro tinha ao menos uma amante, a quem deu o nome de "Alan TI" no zap, para disfarçar, além de ser uma máquina de produção de mensagens de bom dia.

Algumas pessoas torceram o nariz , é claro, já que o vazamento das mensagens pode ter implicações legais. Há interesse público na divulgação? Os jornais parecem achar que sim, principalmente porque Vorcaro, além de expressar sentimentos, também compartilhava com a namorada informações sobre todo o imbróglio do banco Master. Alguns colunistas acham problemático. De todo modo, as redes já estão apinhadas com o conteúdo do zap de Vorcaro.



( ͡ಠ ʖ̯ ͡ಠ)

VIMOS POR AÍ

Apostas em guerra e mortes

Já falamos por aqui algumas vezes sobre sites como o Polymarket, uma plataforma onde as pessoas podem apostar no resultado de eventos específicos. Há palpites sobre quem será o próximo líder supremo do Irã e até sobre se (e quando) forças dos EUA invadiriam o país. Mas a distopia atingiu outro nível quando apareceu por lá uma aposta sobre em qual mês e qual ano algum artefato nuclear seria detonado. A pergunta já foi removida do site.

Quando a possibilidade de morte em massa vira objeto de aposta, o negócio fica meio bizarro. E, para além das questões éticas de apostar em guerras e tragédias, esse tipo de mercado também levanta dúvida: até que ponto quem aposta ali opera com informação privilegiada?

Keeta travado
Circulou bastante nas redes um vídeo no qual colaboradores do Keeta, rival do iFood que tenta ganhar espaço no Brasil, discutem com lideranças da empresa chinesa em um hotel no Rio de Janeiro. A confusão terminou com 200 pessoas demitidas e adiamento indefinido do início das operações da cidade. O CEO disse que vai focar as energias em batalhas judiciais para tentar derrubar contratos de exclusividade do iFood com restaurantes.


( ͡ಠ ʖ̯ ͡ಠ)

NO SITE DO NÚCLEO

Resistência digital
Publicamos no site do Núcleo a quarta parte de nosso especial de resistência digital nos EUA. A repórter Giovana Romano Sanchez conversou com Lynda Kellen, historiadora, bibliotecária e criadora do Data Rescue Project, ONG que já salvou do apagamento mais de 2.500 conjuntos de dados de 90 agências do governo norte-americano. 


( • ⩊ • )

MOSAICO


AI Translations Are Adding ‘Hallucinations’ to Wikipedia Articles
AI translated articles swapped sources or added unsourced sentences with no explanation, while others added paragraphs sourced from completely unrelated material.

Editores da Wikipedia foram pagos para traduzir artigos para outros idiomas e fizeram isso com apoio de IA. O resultado: as traduções saíram com referências, frases e fatos inventados. [Rodolfo Almeida]

The Death of Spotify: Why Streaming is Minutes Away From Being Obsolete
Jimmy Iovine just called the Death of Spotify. He might be right.

Parece que ninguém gosta do Spotify, tirando quem trabalha nele. Está todo mundo cansado de pagar por um serviço que não é justo com quem produz e que não te dá nenhuma autonomia sobre o produto que você consome. Talvez, o fim desse modelo de negócio está mais próximo do que parece ser (tomara). [Ana Carol Branco]

People Are Calling Meta Ray-Bans “Pervert Glasses”
On Bluesky, users quickly embraced the term “pervert glasses” to refer to Meta’s Ray Ban smart glasses, following a shocking investigation.

O pessoal está cada vez mais preocupados com a possibilidade que donos de óculos inteligentes da Meta têm de fazer vídeos e fotografias escondidos, sem a permissão de quem aparece nas imagens. [Alexandre Orrico]


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